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20/07/18 às 15:46

Como Shenzhen, na China, se tornou um centro global de produção de joias

Cidade era uma vila de pescadores há 35 anos e hoje tem uma população maior do que São Paulo

Débora Ramos

AguaBoaNews

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Como Shenzhen, na China, se tornou um centro global de produção de joias

Foto: Divulgação

Nos últimos 35 anos, Shenzhen, na província de Guangdong, a 2.200 km de Pequim, na China, se transformou de um vilarejo de pescadores extremamente pobre em uma das cidades mais desenvolvidas do país, testemunhando incontáveis avanços nesse período. Em maio de 1980, o município foi designado como uma das primeiras zonas econômicas especiais chinesas, servindo como berço para muitas start-ups. Hoje, Shenzhen é um dos principais centros mundiais de produção e comércio de joias e semijoias.
 
Nos últimos anos, a cidade esteve na linha de frente de uma reforma comercial pioneira. A "China Jewelry Index" (CJI) foi ali iniciada e nascida em outubro de 2014 e é mantida até hoje. A CJI foi a primeira base de dados a nível nacional a prover informações compreensivas sobre a indústria de joias e bijuterias chinesas, operando com o apoio do governo local e com a colaboração intelectual da Gem and Jewelry Trade Association of China.
 
O PIB de Shenzhen cresceu de 1,6 milhão de yuans em 1979 para 1.6 bilhão em 2013, segundo o portal GIA. A taxa de crescimento foi de 8,8% entre aquele ano e 2014, tão alta quanto a velocidade de toda a China. Esse rápido desenvolvimento atraiu novos migrantes de todo o país e até do exterior: a população cresceu de 30 mil pessoas no começo dos anos 1980 para cerca de 18 milhões hoje -- para se ter uma ideia, a Região Metropolitana de São Paulo possui 21,2 milhões, segundo o IBGE. O governo chinês diz que 99% dos habitantes são migrantes.
 
Hoje, de acordo com as autoridades chinesas, há mais de 3,6 mil fabricantes de joias registradas em Shenzhen, mais de cinco mil negociantes individuais cadastrados e 29 centros comerciais de joias e bijuterias, como o gigantesco King Living International Jewelry Exchange Center. A indústria emprega mais de 150 mil pessoas e, segundo a GIA, o valor de toda a produção de joias e o total de vendas domésticas no varejo em Shenzhen alcançou 100 bilhões de yans (US$ 16,7 bilhões) e 140 bilhões de yuans (US$ 23,3 bilhões) em 2013 e 2014, respectivamente.
 
O começo da indústria de joias e bijuterias de Shenzhen data do começo dos anos 1980, quando os fabricantes de Hong Kong começaram a levar suas fábricas e equipamentos para o território chinês. Além de ser um local ideal pela vizinhança com Hong Kong, o desenvolvimento da cidade foi facilitado quando o governo iniciou uma série de novas políticas de comércio de ouro em Shenzhen.
 
Antes disso, entre 1949 e 1982, era necessário que toda produção de ouro fosse submetida ao Banco Central chinês, que distribuía o produto às fábricas. Para além disso, os consumidores individuais não podiam trocar ouro. O primeiro estágio na abertura do comércio local foi justamente esse: permitir que pessoas comuns pudessem vender seus catálogos de corrente, anel e brinco de ouro em lojas particulares.
 
Nos anos 1980, a indústria de joias e bijuterias de Shenzhen era de pequena escala: o principal modelo de negócio era chamado de "três mais um", um arranjo de manufatura de custo que usava matéria-prima, design, os modelos e -- por compensação -- produzia o produto desejado. Muitas indústrias da cidade adotaram esse modelo no começo do processo de reforma.
 
Enfim, ela viveu um crescimento rápido entre o final dos anos 1980 e o começo dos anos 2000, período que as políticas ficaram mais flexíveis e o consumo privado cresceu significativamente. Além disso, os chineses passaram a ter mais renda para comprar produtos de luxo, como joias, ou para investir em semijoias e pedras preciosas. Em 1990, percebendo esse fenômeno, já surgiam na China diversas associações voltadas para o setor.
 
Depois de 2003, o governo reformou suas políticas de impostos para apoiar o desenvolvimento da indústria joalheira de Shenzhen: a formação de um comércio de ouro e diamantes estimulou o crescimento das fabricantes em várias áreas do país e, na cidade, as empresas que já estavam ali se expandiram: hoje ali funciona o centro chinês -- e um dos mundiais -- do setor.
 
A importância de Shenzhen, no entanto, explica a própria China de hoje: em 2016, o país comprou mais joias de ouro do que a Índia e os Estados Unidos juntos. Isso é largamente em função do crescimento da renda no país mais populoso do mundo e a segunda maior economia, que também minera mais ouro do que qualquer outra nação. A consultoria estadunidense McKinsey & Company acredita que, até 2025, a China vai contribuir com 44% do mercado global de luxo, do qual a joalheria de ouro é parte.
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