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11/06/18 às 08:36

Pediatra avalia que bebê indígena enterrada viva pode ter habilidades motoras prejudicadas

Vinicius Mendes, Olhar Direto

Edição: Clodoeste 'Kassu' AguaBoaNews

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Pediatra avalia que bebê indígena enterrada viva pode ter habilidades motoras prejudicadas

Foto: Polícia Militar

O médico pediatra Euze Marcio Souza Carvalho, acredita que a menina indígena recém-nascida, que foi resgatada na última terça-feira (5) após ser enterrada viva pela bisavó em Canarana, deve ficar com alguma sequela neurológica após o longo período que ficou enterrada, podendo ter as funções motoras ou intelectuais prejudicadas. No entanto, ele afirma que em sua experiência já viu crianças se recuperarem de condições desfavoráveis sem sequelas.
 
O pediatra acredita que a menina deve ter conseguido, de alguma forma, ter acesso a oxigênio durante as mais de sete horas que ficou enterrada. Ele afirma que seria pouco provável ela sobreviver todo este tempo sem respirar.

“Eu imagino que na hora que fizeram o buraco e enterraram ela deve ter ficado alguma câmara de ar. E como o metabolismo da criança é baixo, comparado com o metabolismo de adultos, com este pouco oxigênio que provavelmente estava ali ela conseguiu sobreviver. Eu não acredito que ela tenha sobrevivido este tempo todo sem oxigênio, por isso eu acho que deve ter ficado algum buraquinho ali, eu imagino isso, fora isso só milagre mesmo”.

O maior risco, segundo o médico, é com relação à hemorragia e outras infecções que a criança possa ter adquirido enquanto ficou enterrada.

“O problema maior, pelo que eu fiquei sabendo, foi a hemorragia, porque acho que ela deve ter nascido e já enterraram, não cortaram o cordão umbilical, então ela sangrou abundantemente, aí leva às outras consequências”.

Quando chegou a Cuiabá, na última quarta-feira (6), o diagnóstico da menina era anoxia cerebral (privação de oxigênio) e infecção generalizada. Por causa deste quadro o médico acredita que ela deve ficar com alguma sequela.
 
“A privação de oxigênio no cérebro dela pode causar sequelas neurológicas. Aí o grau de sequela vai depender do tempo e do grau da anoxia que ela sofreu. Só mesmo com o acompanhamento clínico e ás vezes com alguns exames específicos é que vai poder definir este grau de sequela que ela vai ter. Eu, como pediatra, imagino que ela vai ter algum grau de sequela neurológica, com consequências motoras ou intelectuais”.

No entanto, em sua experiência o pediatra percebeu uma resitência dos recém nascids. Ele já viu crianças se recuperarem de condições desfavoráveis sem sequelas.

“Na minha experiência os recém-nascidos possuem uma resistência, geralmente eles surpreendem muito, criança de uma maneira geral surpreende muito. O tempo médio que já traz algum grau de sequela é em torno de cinco minutos de falta de oxigênio, no caso de uma parada respiratória, por exemplo, se a pessoa ficar cinco minutos sem oxigênio e não tiver uma assistência adequada naquele momento já pode ter sequela. Mas eu já vi crianças, no Pronto Socorro, chegarem em parada respiratória de alguns minutos sobreviverem e durante o acompanhamento não foi percebida nenhuma sequela neurológica. Mas a probabilidade de que tenha alguma sequela é grande, mas como disse, as crianças surpreendem muito, mesmo em condições desfavoráveis”.
 
O caso
 
Uma criança indígena recém-nascida foi enterrada viva, na última terça-feira (05), e resgata por equipes das polícias Civil e Militar. O fato foi registrado na cidade de Caranana.
 
A Polícia Civil descobriu que a bisavó da criança foi quem cortou o cordão umbilical e a enterrou. Segundo a família, todos acreditaram que ela estava morta.
 
Conduzidas à delegacia para esclarecimentos, a mãe da criança (adolescente de 15 anos) e a avó do bebê contaram que a jovem sentiu fortes dores (contrações) e foi ao banheiro sozinha, momento em que deu a luz a menina. Ao nascer, a criança teria batido a cabeça no vaso sanitário, ocasionando sangramento.
 
Depois, a bisavó da criança cortou o cordão umbilical do bebê e também foi a responsável por enterrar a recém-nascida, conforme as investigações. K. A, de 57 anos alegou que a criança não chorou e por isso acreditou que estivesse morta e segundo costume de sua comunidade enterrou o corpo no quintal, sem acionar os órgãos oficiais. A mulher deve responder por tentativa de homicídio.
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