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15/04/18 às 09:40 / Atualizada: 18/04/18 às 20:14

Abril Indígena: documentário conta luta de mais de 40 anos dos Xavante de Marãiwatsédé pela posse de terra

Filme produzido pelo MPF foi lançado na terra indígena neste sábado (14)

Assessoria MPF

AguaBoaNews

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O Ministério Público Federal (MPF) lançou neste sábado (14), às 19h, o documentário “Marãiwatsédé: O Resgate da Terra”, que conta a história da remoção forçada dos Xavante de sua terra tradicional durante a ditadura militar e a luta pela retomada do território. O lançamento será marcado por exibição especial do filme para os índios, em sessão ao ar livre em frente à Escola Estadual da Terra Indígena Marãiwatsédé, localizada no nordeste do Mato Grosso. A expectativa é que 200 indígenas participem do evento. O MPF será representado pelo procurador da República Wilson Rocha, um dos autores da ação civil pública que pede a reparação aos índios pelas violações sofridas.

Com 30 minutos de duração, o documentário é resultado de parceria entre a Câmara de Populações Indígenas e Comunidades Tradicionais (6CCR) e a Secretaria de Comunicação Social do MPF e foi produzido pela empresa Chá com Nozes. Conta a história da luta de mais de 40 anos dos Xavante para recuperar a posse do território de onde foram removidos à força em 1966. A remoção forçada foi resultado da associação entre órgãos do governo federal e fazendeiros durante a ditadura. Cerca de 1/3 da população de mais de 263 índios morreu como resultado da remoção.

O documentário ouviu indígenas que estavam entre os removidos, membros do MPF, especialistas e antropólogos. “Foi um tentativa de genocídio”, explica Wilson Rocha. “A gente percebe pela narrativa do grupo e pelo contexto histórico que o objetivo do estado brasileiro e dos empreendedores particulares a ele associados era que o grupo de índios desaparecesse, física e culturalmente, porque esse desaparecimento permitiria que as terras fossem apropriadas pelo empreendimento agropecuário”.

Na remoção, os índios foram levados para uma área que passava por uma epidemia de sarampo e ficaram sem qualquer assistência, o que resultou na morte de mais de 80 pessoas. O filme registra depoimentos emocionantes de quem presenciou as mortes, a violência e o desrespeito à cultura e às tradições do povo Xavante. “Eu vi minha família, minha mulher, meus irmãos, todos doentes. Morreram. A família toda morreu, acabou. O único sobrevivente sou eu”, lembra com emoção Dutra Tserepalhipti, um dos indígenas ouvidos pelo documentário.

Os Xavante só conseguiram a posse definitiva de sua terra tradicional em 2014, depois de muita disputa com fazendeiros e posseiros e uma longa batalha judicial. Em 2016, o MPF instaurou ação civil pública pedindo a reparação dos danos de natureza material e moral coletivos sofridos pela comunidade indígena Xavante de Marãiwatsédé, devido à remoção forçada de seu território tradicional. São réus na ação a União, o Estado do Mato Grosso, a Funai e 13 herdeiros da fazenda Suiá-Missu.

Na ação, o MPF pede reparação no valor de R$ 129 milhões aos índios, para compensar os danos morais e materiais verificados nos cerca de 48 anos nos quais a comunidade esteve privada de seu território; a restauração ambiental da terra indígena; o pedido público e formal de desculpas aos Xavante, formulado pelas autoridades brasileiras; o direito à verdade, para que os fatos sejam narrados como de fato aconteceram em todos os registros oficiais, com a declaração expressa de que, neste caso, o Estado brasileiro participou de um genocídio.

Após o lançamento, o documentário “Marãiwatsédé: O Resgate da Terra” será exibido na TV Justiça, no dia 15 de abril, às 22h, com reprises em diversos horários ao longo da semana.

Assista o vídeo relacionado abaixo:
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