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30/03/18 às 12:22 / Atualizada: 30/03/18 às 12:37

Polo de criação de peixes gera emprego e transforma vidas

Helena Tallmann, de Minas Gerais

AguaBoaNews

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Polo de criação de peixes gera emprego e transforma vidas

Tanques-rede de Ailton Batista: método é considerado superintensivo de produção

Foto: Divulgação

A ausência de litoral em nove estados brasileiros não impede a produção e consumo de peixes, no caso de água doce. A produção total da piscicultura brasileira foi de 507,12 mil toneladas em 2016, representando um aumento de 4,4% em relação ao ano anterior, segundo dados da Pesquisa da Pecuária Municipal (PPM). Rondônia manteve a primeira posição do ranking, com 90,64 mil toneladas de peixes, seguido por Paraná (76,06 mil toneladas) e São Paulo (48,35 mil toneladas).

A tilápia e o tambaqui lideram a produção nacional. Embora Paraná e São Paulo tenham registrado a maior produção estadual de tilápia, segundo a pesquisa foi Orós, no Ceará, que teve a maior produção municipal. Nesse ranking de produção da espécie, Minas Gerais ocupa o terceiro lugar entre os estados e Morada Novas de Minas (MG) é o município com segunda maior produção de tilápia do País: 8,4 mil toneladas.

A alcunha de polo piscicultor no Estado é recente na cidade, assim como seus efeitos positivos em termos de trabalho e renda. “Dezessete anos atrás, ninguém conhecia tilápia, hoje tem em qualquer lugar aqui”, afirmou Antonio Tessitore, analista em desenvolvimento regional da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf).

Agropecuária cede espaço
O potencial da região mineira provém do lago formado pelo reservatório de Três Marias (criado para regularizar a vazão do rio São Francisco), propício para a criação dos peixes em tanques-rede. A localidade foi reconhecida como Arranjo Produtivo Local (APL) – onde há concentração de empresas e instituições relacionadas a um mesmo setor, que trabalham em colaboração – fomentando o crescimento da atividade econômica.

Em 2001, uma parceria entre a Codevasf e o Ministério da Pesca promoveu a implantação, em Morada Nova, da primeira unidade demonstrativa de produção de tilápia em tanques-rede do reservatório. Sete anos mais tarde, em 2008, a Companhia entregou ao município uma Unidade de Beneficiamento de Pescado, gerenciada pela então criada Cooperativa dos Piscicultores do Alto e Médio São Francisco (Coopeixe).

Hoje, o presidente da Cooperativa, Edmilson Ferreira, estima que o setor gera 1.500 empregos diretos e indiretos, rendendo 1,5 mil toneladas de tilápia mensalmente.  “A piscicultura agora é forte no município, antes era a agropecuária”, ressaltou. Somente em Morada Nova de Minas, a Codevasf calcula que existiam, em 2016, 32 piscicultores; número que cresce para 71 considerando as outras cidades da região, a maioria formada por pequenos e médios empreendedores.


Transformação de vidas
Depois de outras tentativas na agricultura, Ailton Batista, de 52 anos, decidiu investir no ramo a partir de 2009. Primeiro, fazendo o beneficiamento do peixe. Animado com o resultado, iniciou também sua própria criação, espalhada por cerca de 200 tanques-rede. Atualmente, ele constrói seu segundo frigorífico, que deve criar em torno de 60 novos postos de trabalho.

O funcionário do piscicultor, Rodrigo de Souza, de 37 anos, que é “nascido e criado” na cidade, não tem dúvidas de que a atividade mudou muitas vidas: “minha esposa e eu trabalhamos nisso. Faz oito anos que estou nesse ramo. Para nós, foi muito bom financeiramente e profissionalmente”.

Acompanhando esse processo, cresce também a demanda pelo produto no mercado, conhecido por ser uma carne de sabor suave e sem espinhas. Com isso, surgem novos negócios envolvendo a cadeia produtiva da tilápia, como a criação de alevinos, fornecidos aos piscicultores, que fazem a engorda e posterior venda ou abate.

Carlos Ribeiro, 31 anos, nem consegue imaginar o que estaria fazendo se não fosse mexer com peixes. Desde que deixou de ser estudante, está trabalhando com a criação dos alevinos, empregando 14 funcionários. “Quando eu comecei, a expectativa era produzir 350 mil alevinos por mês. De lá para cá, já estamos com uma produção de 2 milhões e o projeto de passar para 3 milhões em 2018”.

Apesar do cenário bastante positivo para a piscicultura em Morada Nova de Minas, Ailton Batista e Carlos Ribeiro lamentam a dificuldade e a burocracia para regularização da atividade, que necessita de licença ambiental para funcionar e também para acesso a crédito.

Criação de trutas
Diferente da tilápia, já disseminada por 24 unidades da federação, a truta é criada apenas nas regiões Sul e Sudeste. Minas Gerais é o maior produtor nacional, com uma produção que cresceu 76,5% entre 2013 e 2016, alcançando 888 toneladas, segundo dados da PPM. Santa Catarina é o segundo nessa escala (700 toneladas), muito acima do Rio de Janeiro (86 toneladas).

Segundo a assessora técnica de Pesca, Piscicultura e Meio Ambiente da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater-MG), Vanessa Gaudereto, essa espécie foi introduzida no Brasil na década de 1950, como alternativa de pesca. Atualmente, um levantamento feito pela Empresa estima que existam, no Estado, cerca de 120 truticultores, entre familiares e não familiares. “A truta é um peixe de alto valor nutritivo e de grande importância gastronômica, com alto potencial de mercado e valorização”, acrescentou.

A região Sul mineira é responsável por grande parte do resultado estadual. A geografia favorável da Serra da Mantiqueira fornece o ambiente ideal para a truticultura, com águas frias, cristalinas e de boa qualidade, tornando a localidade o maior polo produtor de trutas do país. “O relevo da serra, com muitas rochas e corredeiras, garante a oxigenação necessária. Outra característica é que as criações ocupam pequenos espaços na propriedade”, esclareceu Vanessa.

No município de Paraisópolis, a venda de alevinos de truta garante o sustento de Arlindo de Souza, 54 anos, que também cria lambaris e carpas. Vinte anos atrás ele enxergou no grande potencial hídrico da região a oportunidade de investir na aquicultura, na contramão do trabalho com lavouras. “Comecei com ‘pouquinha’ truta e fui vendendo os peixinhos. O povo ficou sabendo, um passa para o outro, agora tem muito comprador”, disse ele, que comercializa o milheiro entre R$120 a R$200, de acordo com o tamanho. “Já vendi peixe até para Belo Horizonte”, contou, dizendo que a principal vantagem dessa atividade é o manejo fácil, conduzido com a ajuda do filho.

O empreendedor busca diversificar os rendimentos aproveitando também o potencial turístico da região. Ele tem um espaço dedicado à pesca esportiva e planeja ainda a abertura de um restaurante e a compra de um balão.

Criação de carpas
A 23 quilômetros dali, no município de Gonçalves, a curiosidade atrai turistas para a propriedade de Antônio Magalhães, de 70 anos. Piscicultor há cerca de uma década, ele afirma que hoje a atividade é apenas um passatempo. “Eu criava duas mil trutas, mas já faz um tempinho que parei, chegaram muitas casas e a água acabou”, explica.

Atualmente, ele se dedica à criação de carpas e o que mais chama atenção é o hábito de alimentar os peixes com mamadeiras. “Vi na televisão outro dia e resolvi testar esse negócio. Demorou um pouquinho mas deu certo, a carpa é muita mansa. Vem muita gente olhar, tirar foto”, conta, contente, e com a promessa de aumentar a criação.

Peixe comumente ornamental, a carpa tem origem chinesa. De acordo com a PPM, o Rio Grande do Sul foi o maior produtor da espécie em 2016, seguido por Santa Catarina, Paraná, São Paulo e Minas Gerais. Nesse mesmo ano, ele foi o sexto peixe mais produzido no Brasil.  
  • Polo de criação de peixes gera emprego e transforma vidas
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