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08/09/15 às 19:24 / Atualizada: 08/09/15 às 19:42

Campanha marca os cem dias de greve na UFMT: Queremos estudar, MAS...

Estudantes e professores lançam campanha para mostrar as condições precárias de ensino que motivam a greve

Luana Soutos

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Mais de cem dias de greve e o governo não avança nas negociações. Diferentemente do início da paralisação, já reconhece que os R$ 11 bilhões retirados da educação pública prejudicarão o ensino. Mesmo assim, tem se mostrado resistente a qualquer negociação efetiva.
 
Essa é uma estratégia que tem dado resultado nos últimos anos. Quanto mais tempo ignorando e protelando o diálogo, mais os grupos organizados se cansam, enfraquecem, desanimam e abandonam a batalha sem a garantia do cumprimento de suas reivindicações. É isso que o governo espera que aconteça, também, em 2015.
 
Três meses após o início da greve, professores, estudantes e técnicos querem, com razão, retomar suas atividades. Esse é o motivo, inclusive, pelo qual realizam a greve: querem trabalhar e estudar com qualidade. Mas devido a inúmeras situações de precariedade, esse trabalho ou estudo se torna, por vezes, inviável.   
 
Em Sinop, por exemplo, professores e estudantes esperam, há 5 anos, o conserto de equipamentos de laboratório. Enquanto não são realizados, algumas turmas se formam sem a base necessária.
 
No Araguaia, estudantes reclamam, entre outras coisas, da falta de acesso a livros, material imprescindível para formação acadêmica em qualquer área.
 
Rondonópolis tem diversos problemas estruturais. Faltam as coisas mais básicas, como salas, laboratórios e equipamentos.  
 
Cuiabá, embora seja o campus mais antigo, também apresenta situações como as descritas acima. Que tipo de formação dar aos futuros profissionais sem equipamentos, estrutura adequada, sobrecarregando os técnicos e docentes?
 
Se os cortes na educação não forem revertidos, nenhuma dessas necessidades será sanada. Ao contrário, a tendência é que piorem ainda mais. A universidade continuará formando profissionais cada vez mais limitados pela precariedade imposta, há anos, pelos governos.   
 
Por esse motivo, e para marcar os cem dias de greve, o Diretório Central dos Estudantes (DCE) e o Comando Local de Greve da Adufmat-Ssind iniciam, nessa terça-feira (08), a campanha “Queremos estudar, MAS...”. A ideia é divulgar para além da comunidade acadêmica, as condições precárias da universidade, que motivam a greve. Além disso, a campanha pretende sensibilizar os estudantes e professores que estão desanimados, e motivá-los a somar na luta, pressionando o governo a dialogar.

As intervenções serão feitas, especialmente, nas redes sociais. 

“Retomar as atividades nesse momento, quando governo começa a sentir a pressão, seria prejudicial a todos nós, porque continuaremos a trabalhar em condições precarizadas. Todos nós sentimos falta da nossa rotina e sabemos da importância do nosso trabalho, mas a greve é importante. Foi a partir das greves, ao longo dos anos, que nós tivemos avanços não só na educação, mas também em outras áreas”, afirma o professor Maelisson Neves.
 
Para a estudante de Psicologia e coordenadora do DCE, Maria Aguilar Lara, retomar as atividades acadêmicas nesse momento também traria prejuízos aos estudantes. “Nós voltaríamos, agora, ainda sobre condições precarizadas, com um corte de verbas de quase R$ 12 bilhões. Então a campanha vem no sentido de mostrar que sentimos falta, queremos retomar as atividades, mas a gente não pode voltar sem nenhuma negociação efetiva. Queremos voltar com Assistência Estudantil, RU [Restaurante Universitário] funcionando todos os dias, com professores que recebam salários dignos, investimento em Ensino, Pesquisa e Extensão, e principalmente, queremos voltar a estudar tendo um governo que coloque a educação como prioridade, o que não acontece hoje”, pontuou.
 
O ícone da campanha remete à logo da marca “Eu, você, todos pela Educação”, do governo federal. Mas ao contrário do original, o desenho da campanha dos estudantes e docentes traz, no rosto, o sentimento daqueles que querem estudar, mas...
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