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21/01/18 às 08:22

ENEM – A campeã Thaís, uma cuiabana nota 1.000

Eduardo Gomes/boamidia

Edição AguaBoaNews, Clodoeste Pereira 'Kassu'

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ENEM – A campeã Thaís, uma cuiabana nota 1.000

A campeã Thaís ao lado da professora Marijane

Foto: Dinalte Miranda/DC

Frágil, voz suave e baixa. Tímida. Criada longe do esporte e fora da sala de televisão. Quem a vê, tem a impressão que se trata de uma menina – sim, uma menina moça, mais menina do que moça. Porém, quando ele fala sobre seu dom de escrever e sua visão sobre temas relevantes se vê que ela, a cuiabana Thaís Fonseca Lopes de Oliveira, é uma pessoa madura, diferente. Tão diferente que alcançou 1.000, a nota máxima na redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), concorrendo com 4.725.329 candidatos e dividindo primeiro lugar com outras 52 feras.

Que menina é essa? Como vive? Como consegue tamanho sucesso? O que espera da vida? Como se sente?

Thaís é aluna aplicada, dócil e dedicada. Quem a define assim é sua professora de Redação no tradicional Colégio Salesiano São Gonçalo, Marijane Martins. O mérito é da aluna, reconhece Marijane, que orgulhosa, no melhor sentido da palavra, acrescenta que um grupo de 50 alunos de sua escola alcançou notas em Redação no Enem, que variaram entre 960 e 980.
A campeã Thaís mora com a mãe, Sebastiana Lopes da Fonseca, no bairro Rodoviária Parque. Tem três irmãos, que vivem com seu pai, José Edvaldo, em outro endereço.

“Nada acontece por acaso. Tudo tem uma razão de ser”, avalia a campeã da Redação. Medindo palavras e mirando o infinito Thaís fala da infância de menina pobre, que nunca sonhou com riqueza e que busca no saber o caminho para o amanhã dela, da mãe e da família. Sempre boa aluna, concluiu o Ensino Médio e faz cursinho preparatório. Nesse domingo, 21, prestará vestibular na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, em Campo Grande. Na bagagem, além do saber leva a nota máxima na Redação, que terá peso importante para a formação da lista dos aprovados. Quer ser médica, mas não definiu em que área, “o transcorrer do curso me mostrará”, sintetiza.

Humilde, aceita com resignação sua não aprovação no vestibular para medicina na Universidade Federal da Grande Dourados, em Mato Grosso do Sul. Observa que ao se submeter àquele vestibular ela acabara de alcançar nota 1.000 na Redação do Enem 2016, mas que não estava totalmente preparada em outras matérias, “desde então dedico meu tempo para a preparação ampla; dessa vez vai”, diz baixinho.

Xodó de alunos, professores e funcionários de sua escola, Thaís recebe com alegria as manifestações de carinho e apoio. Mesmo sem perder o quê de menina moça sabe que conseguiu um feito extraordinário ao desenvolver o tema, “Desafio para a formação educacional de surdos no Brasil”, que não esteve na pauta dos possíveis temas que poderiam ser escolhidos para a prova. A campeã da Redação fala com desenvoltura sobre essa questão e demonstra maturidade defendendo o aprimoramento do ensino inclusivo para portadores de necessidades especiais, terceira idade e para filhos de migrantes que deixaram seus países fugindo de guerras ou desastres naturais.

“Quero ser médica. Medicina e educação devem caminhar lado a lado. Da identidade entre educador e médico podem sair soluções para problemas e capazes de melhorar o ensino público para os surdos”, aposta.

No período pré-vestibular Thaís dedica 10 horas diárias ao estudo. Não tem tempo para namorar. Quando fecha os livros ouve música sertaneja, samba etc. “gosto de todos os gêneros musicais”, revela. Mesmo na correria ela lê. Faz o que muitos ainda não se acostumaram a fazer: lê jornais – como se vê e plagiando sua frase, sua nota não aconteceu por acaso.
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