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14/01/18 às 10:31

Aos 75 anos, jornalista se forma em Direito para defender idosos

Francisco Bentinho diz que sempre teve paixão pela profissão; agora ele estuda para exame da OAB

Cíntia Borges, Mídia News

Edição AguaBoaNews, Clodoeste Pereira 'Kassu'

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Aos 75 anos, jornalista se forma em Direito para defender idosos

Jornalista, revisor, professor e ativista pelos direitos do idoso. Os diversos anos dedicados ao trabalho não fizeram com que o aposentado Francisco Delmondes Bentinho, 75 anos, se acomodasse. Ele se propôs um desafio e concluiu mais uma etapa: acaba

Foto: Alair Ribeiro/MídiaNews

Jornalista, revisor, professor e ativista pelos direitos do idoso. Os diversos anos dedicados ao trabalho não fizeram com que o aposentado Francisco Delmondes Bentinho, 75 anos, se acomodasse. Ele se propôs um desafio e concluiu mais uma etapa: acaba de se formar em Direito.
 
À época em que tomou a decisão por iniciar o curso, Bentinho, como é conhecido, tinha 70 anos. A paixão pelo Direito era antiga e ele já havia frequentado por dois anos quando morou em Goiânia (GO), no início dos anos 2000.
 
“Eu estava em um período de descrença de tudo. Fui perdendo o ânimo com as coisas, pessoas... Trabalhava em uma chácara que tenho com minha esposa e o telefone tocou: ‘Aqui é da universidade, queremos que você venha fazer o vestibular!’”, conta o aposentado, que agora se prepara para o exame da OAB.
 
Surpreso, não hesitou e foi em busca do sonho adormecido. Dos 283 vestibulandos para o curso de Direito, Bentinho passou em segundo lugar. “Me matriculei e fui um dos alunos aprovados no Fies [Programa de Financiamento Estudantil]”.
 
A ideia, desde o início, era uma só: atuar como advogado para fazer valer o direito dos idosos. Bentinho é militante e presidente do Conselho Estadual dos Direitos da Pessoa Idoso (Cededip).
 
“Eu fui presidente do Sindicato Estadual dos Aposentados e Pensionistas e Idosos, depois fui para o Conselho Estadual dos Direitos da Pessoa Idosa, e agora sou presidente do Cededip”.
 
A monografia, por sua vez, não fugiu da causa: “A violência contra a pessoa idosa” é o título do trabalho que fez com que Bentinho fosse um dos 15 aprovados de sua turma.
 
“A minha turma começou com 62 alunos e 15 se formaram. Os outros foram ficando no meio caminho”, conta, orgulhoso.
 
Sobre as dificuldades no curso, Bentinho é enfático: “Ser atualizado”. Ele também afirma que a idade não traz nem facilidade ou dificuldade para o estudante.
 
“Como a dinâmica da justiça é violenta, você precisa estar super-atualizado com o que está acontecendo. Hoje estamos falando sobre determinadas coisas. E daqui a pouco há mudança nessas leis”, disse.
 
Multiprofissional
 
O caminhado trilhado para chegar até o Direito foi longo. O curso de Letras iniciado, mas não concluído, fez com que Bentinho tivesse o direito de dar aula de língua portuguesa.
 
Nessa época, também foi diretor cultural e começou a atuar no jornalismo. “Em 1983, eu trabalhava no Diário da Manhã, em Goiânia, e fui escalado para vir a Mato Grosso para trabalhar na sucursal de Cuiabá, onde havia mais de 450 assinaturas", conta.
 
Um tempo depois, Bentinho conseguiu o registro de jornalista – que há época era oferecido a profissionais em exercício.
 
Em sua atuação, foi um dos fundadores de dois jornais impressos no interior de Mato Grosso.  
 
“E eu, já metido com a imprensa, fui para o interior. E nós montamos um jornal em Paranatinga em 1985 que durou um ano. Depois fomos para Peixoto de Azevedo, no Jornal Peixoto, que circula até hoje – um jornal quinzenal”.
 
“Em 1986, nós fundamos a Associação dos Jornais do Interior de Mato Grosso. E eu fui o primeiro presidente”. 
 
Causa social
 
O trabalho como presidente do Conselho teve início em junho do ano passado. A glória para o aposentado é de que, à época do início dos trabalhos, o conselho tinha representantes apenas em 32 Municípios dos 141 existes no Estado. Hoje, são 132. 
  
“O nosso trabalho é silencioso. Como paro exemplo, a violência sexual contra a mulher idosa. Ela acontece dentro de casa. Outra coisa, o idoso, sofre a violência, mas não denuncia por ser cometida, muitas vezes, por pessoas próximas a família”.
 
“Ninguém acredita que envelhece. O envelhecer chega de mansinho, e quando você menos percebe já está com 50, 60 anos. E aí, é um drama para quem não teve uma preparação.
 
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