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14/06/17 às 12:56 / Atualizada: 14/06/17 às 13:03

Em ANDANÇAS Rodrigo Vargas e José Medeiros mostram o Mato Grosso que poucos conhecem

Eduardo Gomes, Diário de Cuiabá

Edição para ÁguaBoaNews, Clodoeste Kassu

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Quando o texto do repórter encontra o par perfeito na sensibilidade do fotógrafo o jornalismo explode em sua verdadeira essência. Esse casamento aconteceu no cotidiano de Rodrigo Vargas com José Medeiros nas páginas do Diário de Cuiabá ao longo de anos. Agora, ele é ratificado, ou melhor, sacramentado, como se diz na linguagem simples e característica do povo da área de ambientação do livro “ANDANÇAS – Reportagens pelos confins de Mato Grosso”, que os dois lançam hoje.

O mineiro Rodrigo Vargas é mais que uma das maiores referências da renovação do jornalismo mato-grossense. Seu texto somado ao seu feeling e apimentado por sua visão humanística que não aceita a sobreposição do capital sobre o indivíduo o fazem atemporal. Em resumo: se ele escrevesse suas reportagens no ontem ou se as publicar no amanhã, serão tão perfeitas quanto às de agora.

José Medeiros trouxe de sua terra, Mato Grosso do Sul, a genialidade na arte de fotografar. Seu clique dá poesia à beleza, cria atmosfera alegre em ambiente de tristeza ou ilumina o opaco do sofrimento humano com as cores da vida. Sem se distanciar da reprodução da imagem ele transporta quem mira sua obra para o mundo do faz-de-conta.

Juntos, os dois botaram os pés na estrada, navegaram, voaram, venceram atoleiros e areões, não se deixaram amedrontar pela malária ou as carabinas de grileiros. A caminhada em todas as direções levou a chancela do Diário e em incontáveis edições mostrou a Mato Grosso o verdadeiro Mato Grosso, aquele que, no entanto, é estranho para a quase totalidade dos 3,3 milhões de habitantes que vivem na ensolarada terra de Rondon.

O livro era uma ideia que os dois compartilhavam desde o primeiro passo profissional juntos. A cada reportagem a obra saía do sonho e mergulhava na realidade, muito embora somente nos últimos dois anos tenha ganhado forma nos estúdios de Entrelinhas, editora cuiabana. Num trabalho paciente eles catalogaram matérias, sem preocupação cronológica, mas tendo o cuidado para que não excluíssem nenhuma região. Assim, resumiram o conteúdo de ANDANÇAS.

As caminhadas foram muitas. Uma delas os levou ao bispo agora emérito de São Félix do Araguaia, Dom Pedro Casaldáliga, prelado frágil, de voz debilitada, com problema auditivo, passos lentos e vacilantes, mas senhor de suas convicções e considerado a figura brasileira mais respeitada na comunidade internacional. O Pedro da igreja progressista, protetor de sem terra e indígenas virou cult para os dois. Rodrigo Vargas, de tanta reverência ao homem da teoria da libertação não hesitou quanto ao nome de seu primeiro filho e lhe deu o nome de Pedro. A missão evangelizadora e a pregação de cidadania do bispo espanhol chega ao seio da família Vargas, com Pedro, de 12 anos, que brinca com as irmãs Gabriela, 7, e Helena, 3, num mundo que o pai espera que um dia seja aquele sonhado pelo Pedro, o pregador do Araguaia.

Tanto Rodrigo Vargas quanto José Medeiros destacam que ANDANÇAS não tem um vírgula nem um til do imaginário. Tudo na obra é real. Nenhum deles se preocupa com o título de escritor. Eles se sentem jornalistas, que não verdade é o que são. Ambos carregam uma pitada do bom orgulho pelo fato de terem invertido o caminho da notícia, que normalmente chega a Cuiabá. Com eles foi diferente: correram atrás dos fatos. Chegaram ao território indígena Urubu Branco, em Confresa; ao violento município de Colniza, na divisa com Rondônia e Amazonas; molharam os pés no encontro das águas do Teles Pires com o Juruena, onde nasce o lendário Tapajós; foram aos índios umutinas, em Barra do Bugres; pisaram o solo da gleba Rio Ferro, que foi um pedaço do Japão por aqui.

Enfim, José Medeiros e Rodrigo Vargas reviraram Mato Grosso de ponta cabeça. Produziram imagens e textos sobre as crenças e a idiossincrasia. Reviraram o âmago do homem do campo desvendando suas lendas e suas figuras imaginárias. Mostraram o mundo das águas do Pantanal com toda sua exuberância. Trouxeram às páginas a figura do soldado da borracha que nossa superficialidade histórica teima em ocultar.

Os autores demonstram gratidão ao Diário que lhes proporcionou as caminhadas que resultaram em ANDANÇAS. Ambos defendem esse estilo jornalístico. “Nós tínhamos espaço editorial, havia caderno específico para reportagem especial”, relembra Rodrigo Vargas. José Medeiros acentua que sua parceria foi importante para a descentralização do jornalismo, ora concentrado em Cuiabá e em boa parte pautado por entrevistas coletivas e “matérias comunitárias” – aquelas que todos publicam e postam.

Hoje, às 20 horas, no Sesc Arsenal, no bairro Porto, em Cuiabá, os autores José Medeiros e Rodrigo Vargas lançarão ANDANÇAS. Mais que a apresentação do primeiro livro de coletânea jornalística mato-grossense a obra é singular oportunidade de se conhecer as entranhas de Mato Grosso sem dar um passo sequer, bastando para tanto folhear as 210 páginas coloridas da obra dos dois.

Quem for ao lançamento e tiver o mínimo de atenção poderá ver ao seu lado alguém que também está nas páginas de ANDANÇAS. É que personagens do livro anunciaram que virão para o lançamento da obra de Rodrigo Vargas e José Medeiros, que transporta o leitor para sua ambientação pela força de seu texto e a beleza de sua fotografia.
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