Artigos / Benedito Figueiredo Junior

06/11/17 às 10:13

Queimaduras: dependendo do grau deixam danos irreversíveis

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Um dos mais potentes acidentes que deixam sequelas permanentes são as queimaduras, lesões causadas pelo calor, eletricidade e produtos químicos. Na maioria das vezes, o tratamento é dolorido e demorado. E  dependendo de qual grau foi a queimadura, a  pele pode ser destruída parcialmente ou totalmente, atingindo desde pelos até músculos e ossos.
 
A queimadura de 1º grau atinge a camada mais superficial da pele, a epiderme, e se traduz como uma lesão vermelha, quente e dolorosa, como,  por exemplo,  a queimadura solar. Nesse caso não há formação de bolhas e a pele não se desprende.
 
A queimadura de 2º grau superficial gera bolhas e muita dor; já a de 2º grau profunda é menos dolorosa, a base da bolha é branca e seca. Nesse caso, pode gerar repercussões sistêmicas e causar cicatrizes que ficarão para toda a vida. Normalmente há desprendimento total ou parcial da pele afetada.
 
A queimadura de 3º grau é indolor, acomete todas as camadas da pele, podendo chegar até aos ossos e gerar sérias deformidades. Nesses casos, o paciente deve passar por enxertos, visto que ocorre destruição total de todas as camadas da pele. Outro procedimento é hidratar a vítima durante 48h seguidas para que não sofra o processo de desidratação e venha a óbito.
 
O ideal é que o paciente seja levado imediatamente para uma unidade hospitalar para ter o atendimento adequado e deve-se evitar:  aplicação de sal, açúcar, pasta de dente, pomadas, ou qualquer produto caseiro ou  gelo para não agravar a situação da queimadura.
 
Em caso de queimaduras de olhos e boca deve-se lavar somente com água corrente e levar para o Pronto-socorro imediatamente.
 
Queimaduras em que a roupa fique grudada no local atingido, não deve-se tentar tirar em casa, deixe que o médico faça isso. Não cobrir a queimadura com algodão.
 
Outra queimadura que merece cuidados especiais é por eletricidade. Primeira coisa se possível, desligue imediatamente a eletricidade. Em hipótese alguma a pessoa que está sendo eletrocutada pode ser tocada por outra pessoa quando a mesma ainda está em contato com a corrente elétrica. Porém se as pessoas próximas ao acidente não conseguirem cortar a energia elétrica, uma opção é desligar a com um cabo de madeira, já que a madeira é um isolante elétrico, ou seja, não conduz a eletricidade.
 
Depois de afastar a pessoa da corrente elétrica, deve ser levada até o hospital. A pessoa pode apresentar sérios problemas internos devido às queimaduras que só poderão ser descobertas no hospital.
 
Lembrando que para mover a vítima não pode ser utilizado nenhum utensílio úmido ou molhado (ex: toalhas), afinal a água é um condutor elétrico.
 
Após o socorro a vítima passará por um tratamento longo que é coberto pelo Sistema Único de Saúde(SUS).  Primeiro será feito o desbridamento ou a remoção de tecido morto ou muito lesionado para prevenir infecções, inflamações e diminuir o tempo de cicatrização. Depois vêm os enxertos de pele ou de retalhos, que é o processo de substituição da pele removida por outra saudável de outros lugares do corpo a fim de ajudar na cicatrização e evitar infecções.

Lembrando sempre que qualquer paciente que sofra queimaduras, a prioridade do médico é garantir que o paciente sobreviva e tenha a funcionalidade dos órgãos preservada ou devolvida, num segundo momento pensa-se em estética.
Benedito Figueiredo Junior

Benedito Figueiredo Junior

Benedito Figueiredo Junior é cirurgião plástico na Angiodermoplastic. CRM 4385 e RQE 1266.
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