Artigos / Pedro Cardoso da Costa

31/12/16 às 10:54

Promessas e queixas de todo fim de ano

Imprimir Enviar para um amigo
É comum no período do Natal surgirem ou se ampliarem ações de solidariedade. Pessoas se desculpam de falhas, amigos se reconciliam de pequenas divergências. O coração fica mais afetivo e compreensivo. As pessoas se buscam e se encontram e muitas vezes se encantam entre si. Encontram virtudes onde antes só enxergavam defeitos e se descobrem tão próximas quando se imaginavam tão distantes. Esses sentimentos não trazem mal nenhum, ainda que sofram da provisoriedade de fins de ano.

Passado o festejo de Natal, surgem os preparativos para as festas e as promessas para o Ano Novo. Na prática, existe uma certa paralisia individual e coletiva no ano que termina à espera do ano seguinte.

Nada que desabone o festival de bondades do período, mas não passam de alívio d’alma, principalmente para quem deixou escapar o ano inteiro sem nenhuma ação prática que melhorasse a família, o grupo de amigos, o bairro ou somente outra pessoa diretamente.

Quem busca a remissão dos pecados no fim do ano utiliza muito a expressão “se eu pudesse, eu ajudaria”. Essa justificativa nunca vem isolada. Ela costuma vir antecedida da indução àquele que pode que faça aquilo que o outro faria se pudesse; ou após uma crítica a alguém que sempre poderia ter feito o que o crítico não fez.

Esse posicionamento varia de frases, que têm o mesmo significado e trazem o mesmo resultado zero. “Se Deus me ajudar...” “Se Deus quiser...” “Se Deus me permitir...” E com a mais utilizada: “Deus ainda vai me ajudar...” E, quando é mais invejoso, costuma comparar-se a você materialmente – a quem se refere – “se eu tivesse condições como você”. Ou elogia com disfarce, a reconhecer a própria fraqueza: “graças a Deus que você pôde ou pode ajudar”.

Concomitante às promessas para o ano novo surgem queixas, com maior intensidade sobre parentes e amigos ausentes “quando mais se precisava”. Trata-se de queixa unilateral, sem nenhuma autocrítica, se não faltou quando os amigos do lado de lá também precisaram.

Esse ressentimento se generaliza mais como disfarce, mas sua concentração fica com a questão material, de dinheiro mesmo. “Quando eu estava numa boa, estava cercado de amigos”, costuma bradar e emenda com um “quando eu fracassei ou passei por dificuldades, sumiram todos”. Não se dá conta de que ele também aceitou e se glamorizou quando estava cercado de bajuladores. Estava tão cego que nunca percebeu que jamais foram amigos! E que o “reclamão” da vez pode ser aquele amigo “caderneta de poupança”: o que faz pelo “amigo” é um investimento que espera receber em dobro. O mundo está cheio de amigos que pagam um cafezinho já esperando receber dois, três ou muito mais do que isso.

Já que falta espaço para definir tanta gente “boa”, reforço o argumento com frase do cantor Chico Cesar quando diz: “Deus me proteja da maldade de gente boa”. Dessa gente que só se acha merecedor a receber e quando dá é esperando o retorno imediato do investimento.

Que em 2017 as pessoas apliquem em planos próprios de investimentos e fiquem certas de que amigos de verdade não são cadernetas de poupança.
Pedro Cardoso da Costa

Pedro Cardoso da Costa

Pedro Cardoso da Costa é bacharel em Direito em Interlagos/SP.
ver artigos

comentar  Nenhum comentário

AVISO: Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não representam a opinião do Agua Boa News. É vetada a inserção de comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros. O site Agua Boa News poderá retirar, sem prévia notificação, comentários postados que não respeitem os critérios impostos neste aviso ou que estejam fora do tema da matéria comentada.

 
 

veja maisArtigos

Juacy da Silva

CALÇADAS, UMA VERGONHA NACIONAL

Com frequência ouvimos de nossas autoridades que o Brasil é um país que possui uma das mais avançadas e atualizadas legislações do mundo que, as vezes pode ser considerado como modelo para os demais...

 
 
 
 
Sitevip Internet