Artigos / Alan Rodrigo Apio

24/09/15 às 14:12 / Atualizado: 24/09/15 às 14:33

Tolerância Zero contra o Crime!

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Precisamos de uma política de Tolerância Zero contra o crime.

Quando o então prefeito de Nova York, Rudolph Giuliani, assumiu o cargo em 1994, a maior cidade americana estava tomada pela violência, pela corrupção e pelas gangues. Quando entregou o cargo no fim do segundo mandado, em 2002, a cidade tinha sofrido uma transformação. Os crimes diminuíram, como o assassinato, em 65%, tendência que se manteve mesmo depois de sua saída do gabinete, quando seu sucessor assumiu o poder. O que aconteceu em Nova York? Que medidas o prefeito Giuliani liderou e que mudaram a história da cidade?

Em 1982 foi conduzido um experimento nos Estados Unidos que consistia em deixar dois carros idênticos em dois lugares diferentes. O primeiro carro foi deixado abandonado no bairro do Bronx, notoriamente uma zona violenta e conflituosa de Nova York, enquanto o outro foi abandonado em Palo Alto, zona rica e segura na Califórnia. Dois bairros bem diferentes, com populações e situações socioeconômicas distintas. O resultado? O carro no bairro pobre começou a ser vandalizado quase que imediatamente. Teve janelas quebradas, rodas furtadas, foi pichado, teve o rádio roubado e por fim destruído. Enquanto isso o carro no bairro rico permanecia intacto. Mas o mais interessante ainda estava para acontecer. Depois de uma semana com o carro abandonado no bairro rico e completamente intacto, a equipe de pesquisadores quebrou propositalmente uma das janelas do carro e em seguida observou as consequências. O resultado foi surpreendente. O mesmo processo de destruição do carro que ocorreu no bairro pobre, se reproduziu no bairro rico.

A conclusão extraordinária do grupo de pesquisas é que não foi a diferença social entre os bairros que determinou as ações de criminalidade, mas a desordem inicial do ambiente. Em bairros onde existem elevada desordem e inúmeras violações criminais, o indivíduo será atraído para reproduzir comportamentos criminosos. Quando a repressão é inexistente ou ineficiente, e os pequenos delitos são relevados, a ordem rapidamente se desfaz dando margem para crimes mais violentos. Com base nessa experiência os cientistas criaram a Teoria das Janelas Quebradas², que se trata de um modelo de combate à criminalidade baseados na repressão de pequenos delitos. Foi exatamente essa Teoria que o prefeito de Nova York aplicou em sua cidade com notável sucesso.
 
DESORDEM = CRIMINALIDADE
 
Tão interessante quanto a conclusão da pesquisa é o fato de que ela deixa em segundo plano de importância fatores biológicos ou de diferenças sociais como responsáveis pelos elevados indicies de criminalidade, bandeiras clássicas da criminologia. Ao correlacionar a desordem social com a criminalidade, o prefeito de Nova York adotou uma série de medidas que visavam o combate aos pequenos delitos. Crimes como pichação, vandalismo de forma geral, pequenos furtos, até mesmo jogar lixo em vias públicas, tudo o que é considerado como crime de pequena potencialidade invasiva foi combatido com veemência e rigor. O resultado foi uma rápida diminuição do número de diversos crimes, incluindo assassinatos. De acordo com os defensores da prática, a   ação rápida das forças policiais, aliadas com condenações legais e melhoras na comunidade diminuem a noção de desordem pública, reforçando a presença de ordem do Estado no local, suprimindo e reprimindo dessa forma, crimes de todas as formas e gravidades!

Em entrevista o prefeito Giuliani disse:
“Nós enfatizamos muito o policiamento, mas ele deve ser acompanhado por condenações judiciais, muito frequentemente por encarceramento e também tem que envolver uma melhoria na comunidade. Assim diminuímos em 60% os crimes em NYC.”¹

Outro aspecto relevante levantado pelos defensores dessa tese é de que juntamente com as ações policiais e condenações judiciais para com a população, é muito importante que a mesma noção seja aplicada contra os abusos policiais ou mesmo contra os delitos perpetrados por representantes do poder público e não apenas na massa popular.

Tais conclusões e ideias são refrescantes em uma realidade como a brasileira, que sofre com elevada criminalidade e violência quando já parece que se esgotaram todas as fichas possíveis na luta contra essa tendência. A adoção de uma “política de tolerância zero contra os pequenos delitos” pode ser o que faltava para invertemos essa situação. O combate, por exemplo, a destruição de lixeiras públicas e o hábito de jogar o lixo no chão pode evitar que se inicie uma cascata de delitos que deságuem em crimes mais violentos, como roubos, agressões e assassinatos. Já é passada da hora de tentarmos algo novo.
 
Referências Bibliográficas
 
1 - http://www.otempo.com.br/capa/brasil/ex-prefeito-de-nova-york-d%C3%A1-receita-para-reduzir-crimes-1.707692
 
2 - http://jus.com.br/artigos/36275/teoria-das-janelas-quebradas-na-criminologia
 
 
Alan Rodrigo Apio

Alan Rodrigo Apio

Alan Rodrigo Apio é produtor rural, biólogo, fundador do Movimento Cívico das Vítimas de Trânsito - MOVETRAN e presidente da AMAB - Associação MultiCultural de Água Boa.
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