Artigos / Gabriel Guidotti

15/08/16 às 07:24

Beleza imposta

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“A pessoa vistosa se destaca em um ambiente”. Frase corriqueira no cotidiano. O consenso é claro: ser bonito garante uma vantagem, pois independentemente de sua competência, você dará um motivo a mais para as pessoas lhe olharem com atenção. A busca exagerada pela beleza, todavia, pode se tornar um grilhão. Ser deu lugar ao parecer. O uso de máscaras esconde quem as pessoas realmente são.
 
Em uma academia qualquer, uma mulher malhava freneticamente. O ritmo frenético condenava a frequência a qual permanecia no ambiente. Muito tempo, desde cedo pela manhã. Tornar-se ‘malhada’ era sua ambição e, paralelamente, sua maldição. Sem perder a pose, se via obrigada a reforçar a pesada maquiagem a cada exibição. O suadouro fazia a máscara entrar em colapso. O personagem precisava ser mantido.
 
Sem a maquiagem, a mulher era uma; com, era outra completamente diferente. Isso afora o fato de ela sofrer para a realização das séries. A beleza nunca insurgiu com tanta evidência como nos tempos atuais. Estar fora do padrão é sentir-se excluído. Talvez seja essa a razão para tantas pessoas de idade desejarem permanecer jovens. Alguns casos são alarmantes: a cara está tão repuxada que se mostra incapaz de demonstrar sentimentos.
 
Ser bonito está arraigado na sociedade. Para tanto, surgiram nos últimos anos inúmeros tratamentos estéticos que tornaram o corpo humano uma verdadeira massinha de modelar. Muitos têm dificuldade de encontrar a beleza da idade e, menos ainda, aceitar que os anos passam sem que possamos congelá-lo. Se um estilo ou jeito é imposto, eis o desafio pessoal de cada um. Afinal, interessa o que você pensa de si ou o que os outros pensam de você?
 
A beleza, a bem da verdade, está ao alcance de cada de um. Não existe regra ou padrão. Existem, sim, pessoas que desejam lhe vender algo. Não há pessoa feia. Feia é a pessoa que se sente infeliz do jeito que é. Se você quiser mudar, faça isso. Mas ceda à otimização de traços naturais, isto é, evite a submissão a identidades artificiais. De outro modo, você nunca será feliz. Os padrões mudam constantemente. Você, por outro lado, é único para o resto da vida.
Gabriel Guidotti

Gabriel Guidotti

Gabriel Bocorny Guidotti é bacharel em direito, jornalista e escritor.
Porto Alegre – RS
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