Artigos / Dr. Orlando Barreto Neto

14/08/15 às 19:55

Gravidez sem Álcool

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O consumo de álcool durante a gravidez pode causar aborto, morte fetal e o espectro de desordens fetais alcoólicas (fetal alcohol spectrum disorders – FASD). O FASD corresponde a um grupo de doenças que podem ocorrer em uma pessoa cuja mãe bebeu bebidas alcoólicas durante a gravidez.
A cada mil bebês que nascem no mundo, de um a três já iniciam a vida afetados pela FASD. Para ter uma ideia, no Hospital Geral Vila Nova Cachoeirinha, localizado na zona norte da capital paulista, um estudo com 2 mil futuras mães revelou que 33% bebiam durante a gestação. O mais grave: 22% consumiram álcool até o dia de dar à luz.

Beber durante as primeiras semanas de gestação pode causar danos permanentes ao feto. O problema é que, nesse estágio, muitas mulheres não estão conscientes de que estão esperando um bebê.

Logo no início da gestação, a exposição do feto ao álcool pode causar sintomas de FASD, como crescimento atrofiado e hiperatividade.
 
Não se conhece o nível seguro de uso de álcool pela mulher durante a gravidez.

Todas as bebidas com álcool podem prejudicar o desenvolvimento do feto. Uma lata de cerveja tem tanto álcool quanto uma taça de vinho. Algumas bebidas, como bebidas de malte, refrigerantes de vinho e bebidas mistas têm mais álcool do que uma lata de cerveja.

Em nosso meio é importante salientar que, pelo baixo custo de aquisição, o álcool é a droga mais difundida nas classes sociais menos favorecidas.

Várias são as motivações que podem levar a gestante a beber: Depressão; carência afetiva; gravidez indesejada; baixo padrão socioeconômico e educacional (desinformação sobre efeitos de drogas); adolescência; gestação não planejada e ausência de pré-natal.

Os prejuízos causados pela exposição pré-natal ao álcool estão relacionados a diversas partes do corpo e por diferentes processos em vários locais que ainda estão em desenvolvimento no feto, como por exemplo:
  • Morte de uma série de tipos celulares, o que pode causar desenvolvimento anormal de diferentes partes do corpo do feto;
  • O álcool pode interromper o desenvolvimento normal de células responsáveis por diferentes funções do cérebro;
  • Devido à constrição dos vasos sanguíneos interfere no fluxo sanguíneo da placenta, dificultando o fornecimento de nutrientes e oxigênio para o feto e prejudicando seu desenvolvimento natural;
  • Subprodutos tóxicos do metabolismo do álcool podem permanecer concentrados no cérebro e contribuir para o desenvolvimento da SAF.
Tratamento

Não existe cura para a SAF, apenas intervenções propostas para crianças e para a família capazes de minimizar os danos causados. 

O diagnóstico precoce da doença é considerado fator protetor já que melhores resultados são obtidos por pacientes que tiveram diagnóstico feito ainda na primeira infância.

 O tratamento é de suporte, baseado em intervenções que envolvam diferentes aspectos afetados pela síndrome, de forma associada e concomitantemente com participação de equipe multiprofissional que resulte em plano terapêutico específico para cada indivíduo. Entre elas destacam-se: intervenções educacionais com o intuito de contornar as dificuldades no aprendizado; intervenções parentais visando promover a interação entre os pais e a criança através de apoio psicológico e orientação; intervenções farmacológicas, uma vez que crianças e adolescentes expostas ao álcool precocemente são mais propensas a apresentar alterações de humor, problemas de comportamento, drogadição, entre outros.

Conclusões

As autoridades de saúde deveriam investir em programas de educação e sensibilização para divulgar o problema e orientar as gestantes para a não ingestão de bebidas alcoólicas, qualquer que seja a quantidade e, ao mesmo tempo, promover o tratamento daquelas comprovadamente alcoolistas, no sentido de minimizar os efeitos do álcool sobre seus filhos.

Da mesma forma, um trabalho multidisciplinar é o ideal. A paciente deve receber um tratamento mais intensivo, com abordagens que a motivem para a mudança. Visitas domiciliares são bem-vindas. Apoios comunitários aumentam a adesão ao tratamento e as chances de redução ou abandono do álcool durante o período da gestação. Os recém-nascidos nessas condições devem receber seguimento profissional constante por pelo menos três anos. Isso aumenta a possibilidade de detecção precoce de problemas.

Vale lembrar que os efeitos do álcool ocasionados pela ingestão materna de bebidas alcoólicas durante a gestação não têm cura, por isso vale a máxima: o quanto antes parar, melhor para o bebê, sua família e a sociedade.
 
A prevenção é a melhor estratégia!
Dr. Orlando Barreto Neto

Dr. Orlando Barreto Neto

Orlando Barreto Neto é médico obstetra e ginecologista no Paraná (CRM-PR 32.481).
 
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