Artigos / Gabriel Guidotti

09/12/15 às 11:40

Rússia e Turquia: relações estremecidas

Imprimir Enviar para um amigo
Semanas atrás, a Turquia abateu um caça russo que invadiu o seu espaço aéreo. Segundo o governo turco, o avião foi comunicado dez vezes antes de ser derrubado. Num período em que mínimas suspeitas podem significar ataques terroristas de grandes proporções, a medida constituiu um ato de defesa, aparentemente. A Rússia não se contentou com a justificativa, entretanto. Resultado: crise diplomática entre os dois países.
 
No incidente, os dois pilotos ejetaram. Um deles acabou falecendo. Para os olhos do povo russo, um de seus filhos morreu em serviço militar. E foi abatido pela Turquia, país supostamente aliado. O presidente Vladimir Putin, pressionado, não se absteve de ficar incólume perante o ruído internacional. O Kremlin anunciou que a Rússia vai interpor medidas restritivas aos turcos, desde sanções econômicas a severas intimidações no relacionamento entre cidadãos nacionais.
 
As restrições abrangem, entre outras coisas, a suspensão dos voos fretados entre Rússia e Turquia, a proibição de empregar turcos em empresas russas e o restabelecimento de vistos entre os dois países a partir de 1º de janeiro de 2016. O decreto, que entrou em vigor na data de sua publicação, apenas oficializou algumas ações já informalmente aplicadas em território russo. Em outras palavras, indivíduos que nada contribuíram à crise serão os mais atingidos.
 
O piloto sobrevivente afirmou, em entrevista, que jamais recebeu qualquer alerta, seja por rádio ou visual. O caso gerou reação imediata do presidente turco Recep Tayyip Erdogan. Ele declarou seu lamento pelo ocorrido. Por outro lado, Erdogan defendeu a atuação do exército de seu país, além de criticar a postura russa na Síria. Quem tem a razão? Há questões mal explicadas nessa história.
 
Guerras começam de mal-entendidos. Creio que dessa vez não seja para tanto. O caso repercutiu em vandalismo na embaixada turca na Rússia, há algumas semanas. O incidente deveria ser tratado como uma fatalidade, apesar da morte de um piloto. Não há justificativa para um episódio isolado ensejar um clima de beligerância entre dois grandes países. Destarte, a necessidade de conflito é da natureza humana. Espero que mais vidas não sejam violentadas diante de um novo ruído internacional.
Gabriel Guidotti

Gabriel Guidotti

Gabriel Bocorny Guidotti é bacharel em direito, jornalista e escritor.
Porto Alegre – RS
ver artigos

comentar  Nenhum comentário

AVISO: Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não representam a opinião do Agua Boa News. É vetada a inserção de comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros. O site Agua Boa News poderá retirar, sem prévia notificação, comentários postados que não respeitem os critérios impostos neste aviso ou que estejam fora do tema da matéria comentada.

 
 

veja maisArtigos

Nilton Moreira

Estrada Iluminada - Não percamos tempo!

             A Terra é um dos Planetas ainda bem distante da perfeição. Se isso não é novidade para quem se aprofunda nos estudos, para os demais...

 
 
 
 
Sitevip Internet