Artigos / Gabriel Guidotti

03/12/15 às 10:12

Autorizado rito de impeachment

Imprimir Enviar para um amigo
Dilma Rousseff conquistou a eleição de 2014 legitimamente. Apesar do berreiro da oposição, o mandato se confirmou, inaugurando um primeiro ano de reeleição que teve baixos e baixos, inquestionavelmente. A crise política e econômica se agravou sem precedentes. E agora, neste dezembro natalino, quando os ânimos deveriam esfriar, eis que o contrário acontece. O país chegou ao ápice da convulsão jurídica e moral. A história corre perante nossos olhos: está aberto o processo de impeachment da presidente da República.
 
No início da tarde de quarta-feira (02), a bancada do PT na Câmara votou pelo prosseguimento da ação que busca caçar o mandato do presidente da Casa, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Houve repentina mudança de postura do partido. De tempos para cá, os petistas vinham mimando o peemedebista na tentativa de melhorar as relações com o Congresso. A resposta veio a galope. No final do mesmo dia, Cunha anunciou, em coletiva, o acolhimento do pedido de impeachment impetrado pelos juristas Hélio Bicudo e Miguel Reale Jr.
 
A manobra foi um duro golpe nas intenções do PT. Dilma, às pressas, veio a público falar sobre o assunto, em coletiva de imprensa. A presidente criticou severamente a decisão de Cunha, afirmando que as provas do pedido são “inconsistentes”. Ela acredita no arquivamento do processo. Até o desfecho, todavia, o pesadelo da petista vai continuar tirando o seu sono. Há duas opções viáveis: cai Cunha, sozinho, ou ele puxa junto a presidente para dentro do abismo.
 
Tão logo soube da decisão do PT na Câmara, Cunha tratou de aprontar a autorização ao processo de impeachment. Francamente, o ato estava na agenda do deputado desde o início do dia? Evidentemente que não. Agir por retaliação é um desapreço, um desrespeito ao voto popular. E com requintes de golpismo. Em síntese, o Brasil virou cenário de guerra entre facções políticas. Não foi a lei que decidiu o rito de impeachment, mas sim o ódio de Cunha pelo PT.
 
Os episódios das últimas semanas demonstram que a democracia em nosso país necessita uma consistente reforma. Nesses moldes, dominada por interesses partidários, não serve. Cunha carece de idoneidade para autorizar um processo dessa monta. Dilma não tem a competência necessária para governar. Talvez seja melhor para o Brasil que os dois pereçam abraçados. Mas pelos motivos certos. De outro modo, temo pelo futuro de nossa nação.
Gabriel Guidotti

Gabriel Guidotti

Gabriel Bocorny Guidotti é bacharel em direito, jornalista e escritor.
Porto Alegre – RS
ver artigos

comentar  Nenhum comentário

AVISO: Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não representam a opinião do Agua Boa News. É vetada a inserção de comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros. O site Agua Boa News poderá retirar, sem prévia notificação, comentários postados que não respeitem os critérios impostos neste aviso ou que estejam fora do tema da matéria comentada.

 
 

veja maisArtigos

Nilton Moreira

Estrada Iluminada - Não percamos tempo!

             A Terra é um dos Planetas ainda bem distante da perfeição. Se isso não é novidade para quem se aprofunda nos estudos, para os demais...

 
 
 
 
Sitevip Internet