Artigos / Gabriel Guidotti

02/12/15 às 10:55

Cortes afetam eleições de 2016

Imprimir Enviar para um amigo
O Brasil se projeta à comunidade internacional como um país cujas eleições são totalmente digitalizadas. A crise, entretanto, acaba de pulverizar esse orgulho tupiniquim. Na tarde de segunda-feira (30), a União publicou em seu Diário Oficial uma portaria na qual informa severos cortes no orçamento do poder Judiciário. Em síntese, o voto eletrônico dará lugar ao ultrapassado voto analógico, por cédulas.
 
Embora o documento esteja assinado pelo presidente do Superior Tribunal Eleitoral (TSE), Dias Toffoli, a entidade publicou uma nota na qual critica, mesmo que indiretamente, as consequências dos cortes. “O total que não será repassado para a Justiça Eleitoral soma exatos R$ 428.739.416,00 o que prejudicará a aquisição e manutenção de equipamentos necessários para a execução do pleito do próximo ano. Esse bloqueio no orçamento compromete severamente vários projetos do TSE e dos Tribunais Regionais Eleitorais (TREs)”, diz o texto.
 
O ano que vem, anunciam os economistas, será pior do que 2015. A julgar pelos contingenciamentos, o povo deve se preparar. A suspensão da utilização das urnas eletrônicas é um retrocesso escabroso, assim como outros patrocinados pela atual gestão do Executivo. O país chegou a isso. Remediar a situação exige colaboração de todos os poderes, na esperança de que um dia as finanças respirem novamente.
 
A nota informa também que Dias Toffoli apelará ao Congresso para que os processos licitatórios em andamento de urnas eletrônicas seja mantido, isto é, que o valor de aquisição seja liberado. Desse modo, as eleições eletrônicas de 2016 estariam asseguradas. O assunto viralizou na web. Gregos e troianos criticaram situação e oposição por mais este desmando. Bem-humorados internautas abusaram de memes debochados. Este novo episódio consagra um dos anos mais dramáticos da história da política brasileira.
 
Particularmente, acredito que a decisão será revista a qualquer momento. Não cheguei a votar na época das cédulas impressas, mas pessoas que vivenciaram esse período me reportaram palavras como “trabalhoso” e “manipulação”. O meio eletrônico – intransponível, segundo o TSE – veio para certificar o resultado do pleito. Em um país polarizado, onde o coronelismo ainda impera em algumas regiões, não seria temerário tamanho retrocesso? Só o futuro dirá.
Gabriel Guidotti

Gabriel Guidotti

Gabriel Bocorny Guidotti é bacharel em direito, jornalista e escritor.
Porto Alegre – RS
ver artigos

comentar  Nenhum comentário

AVISO: Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não representam a opinião do Agua Boa News. É vetada a inserção de comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros. O site Agua Boa News poderá retirar, sem prévia notificação, comentários postados que não respeitem os critérios impostos neste aviso ou que estejam fora do tema da matéria comentada.

 
 

veja maisArtigos

Nilton Moreira

Estrada Iluminada - Não percamos tempo!

             A Terra é um dos Planetas ainda bem distante da perfeição. Se isso não é novidade para quem se aprofunda nos estudos, para os demais...

 
 
 
 
Sitevip Internet